
Face a uma epidemia de gripe A- H1N1 cujos dados epidemiológicos no segundo trimestre de 2009 eram incertos, a senhora ministra da Saúde manteve uma confiança cega em comités de peritos que prediziam uma virulência tal, que podiam paralisar o país.
No dia 11 de Junho, a OMS declarava o estado de pandemia, fazendo eco grupo SAGE (principal grupo consultivo da OMS para as vacinas e a vacinação). Um plano de vacinação em massa foi posto em prática, sendo calculado pelas projecções realizadas para a epidemia da gripe aviária de 2004. Uma questão importante foi colocada: qual foi a influência, no desencadear deste alerta, das ligações de interesses dos peritos com a indústria farmacêutica? O médico e epidemiologista Wolfgang Wodarg, ex-membro do partido social-democrata alemão e actual deputado europeu e presidente da Comissão para a Saúde do Conselho da Europa, é de opinião que o desenrolar deste alerta de pandemia constitui “um dos maiores escândalos médicos do século”. Obteve a abertura dum inquérito desta instância ao papel das empresas farmacêuticas na gestão da gripe A pela OMS e pelos países.
O governo português cometeu um erro estratégico desde o início, acreditando sem qualquer reserva a estes propósitos alarmistas, apesar das opiniões mais reservadas dos profissionais, apesar dos dados tranquilizadores sobre esta epidemia de gripe proveniente de países do hemisfério Sul, particularmente a Nova Zelândia e a Austrália.
O erro estratégico é duplo dum erro táctico, avassalando a opinião pública desde o dia 1 de Maio 2009, através de comunicados cada qual o mais alarmista. Um terceiro erro foi o de confiar a gestão da “crise”, como se se tratasse duma ameaça terrorista, como emitir circulares que pretextavam o bloqueio da economia do país. A estrutura foi incapaz de fazer marcha-atrás quando as mensagens que nos chegavam do exterior se tornavam mais tranquilizadoras. Ninguém foi capaz de limitar as consequências deste fiasco mediático.
No plano técnico, o recurso a centros de vacinação longe das populações respeitantes, inicialmente inacessíveis sem a convocação individual, foi igualmente um notório erro. Muito reticentes em relação a esta campanha de vacinação vinda de cima, com vacinas protótipos com efeitos secundários possíveis graves, mas mesmo assim cheios de boa vontade, a maior parte dos pacientes viraram-se para os médicos de família para saber o que deviam fazer.
Um enésimo erro foi a ausência de troca e de concertação com os cuidadores e o desprezo do saber fazer dos generalistas e dos enfermeiros: profissionais de saúde de proximidade, deveriam ser parte permanente na gestão dessa gripe e poder fazer as vacinações necessárias: é esse o seu papel desde há décadas. Enfim, só se pode criticar o erro económico de se ter super-investido nas vacinas, Oseltamivir e Pandmerix, e também de ter redigido recomendações que não se apoiavam em dados científicos, o que conduz a uma interpelação forte á Direcção-Geral de Saúde. Os custos para a cidadania ultrapassaram 1,5 biliões de euros, mais que o défice de todos os hospitais portugueses.
A gestão desta gripe foi uma muito bela operação para os laboratórios Roche, Sanfi-Pasteur-Aventis, Novartis e Baxter, que lucraram diversos biliões de euros.
O bom senso, as práticas e a consciência colectiva dos profissionais e da colectividade, que resistiu ao modo de gestão desta gripe, tecnocrática e farmacêutica, bem distanciada duma política de Saúde Pública.
O governo português cometeu um erro estratégico desde o início, acreditando sem qualquer reserva a estes propósitos alarmistas, apesar das opiniões mais reservadas dos profissionais, apesar dos dados tranquilizadores sobre esta epidemia de gripe proveniente de países do hemisfério Sul, particularmente a Nova Zelândia e a Austrália.
O erro estratégico é duplo dum erro táctico, avassalando a opinião pública desde o dia 1 de Maio 2009, através de comunicados cada qual o mais alarmista. Um terceiro erro foi o de confiar a gestão da “crise”, como se se tratasse duma ameaça terrorista, como emitir circulares que pretextavam o bloqueio da economia do país. A estrutura foi incapaz de fazer marcha-atrás quando as mensagens que nos chegavam do exterior se tornavam mais tranquilizadoras. Ninguém foi capaz de limitar as consequências deste fiasco mediático.
No plano técnico, o recurso a centros de vacinação longe das populações respeitantes, inicialmente inacessíveis sem a convocação individual, foi igualmente um notório erro. Muito reticentes em relação a esta campanha de vacinação vinda de cima, com vacinas protótipos com efeitos secundários possíveis graves, mas mesmo assim cheios de boa vontade, a maior parte dos pacientes viraram-se para os médicos de família para saber o que deviam fazer.
Um enésimo erro foi a ausência de troca e de concertação com os cuidadores e o desprezo do saber fazer dos generalistas e dos enfermeiros: profissionais de saúde de proximidade, deveriam ser parte permanente na gestão dessa gripe e poder fazer as vacinações necessárias: é esse o seu papel desde há décadas. Enfim, só se pode criticar o erro económico de se ter super-investido nas vacinas, Oseltamivir e Pandmerix, e também de ter redigido recomendações que não se apoiavam em dados científicos, o que conduz a uma interpelação forte á Direcção-Geral de Saúde. Os custos para a cidadania ultrapassaram 1,5 biliões de euros, mais que o défice de todos os hospitais portugueses.
A gestão desta gripe foi uma muito bela operação para os laboratórios Roche, Sanfi-Pasteur-Aventis, Novartis e Baxter, que lucraram diversos biliões de euros.
O bom senso, as práticas e a consciência colectiva dos profissionais e da colectividade, que resistiu ao modo de gestão desta gripe, tecnocrática e farmacêutica, bem distanciada duma política de Saúde Pública.
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