
Frequentemente discute-se sobre a capacidade da nossa sociedade civil.
Algumas coisas revelam-se óbvias. Uma dessas evidências é que a sociedade portuguesa tem uma capacidade de inciativa absolutamente admirável.
Iniciativa cultural, mas também empresarial, artística e desportiva, escolar, iniciativas solidáias, de criação de grupos e associações, iniciativas para a invetigação e o teatro, para negócios e o entretenimento, iniciativas porque sim, quase pelo simples gosto de as ter, de as inventar, iniciativas de impulso individual e iniciativas entendidas como trabalho colectivo.
Muita são extremamente eficazes, apesar de manterem um carácter muito discreto.
Com efeito, existem centenas de grupos espalhados pelo país, que se encontram regularmente para actuarem juntos, para lerem e comentarem livros, para realizarem debates e tertúlias – e boas jantaradas – para organizarem conferências e congresos, excursões, bailes ou acções solidárias.
No Verão, com os concertos mais publcitados, existem numerosas iniciativas musicais, reduzidas, quase clandestinas, mas de grande riqueza; juntamente com os grandes acontecimentos desportivos, há torneios amigáveis e desinteressados; e continua a realizar-se congressos, mesas redondas, jornadas e debates.
O «cliché» português individualista, puritano e introvertido, é já antiquado.
Estaria muito bem que os grupos que agora estão activos, deixassem constância da sua existência numa base de dados.
Surpreender-nos-ia a dimensão do fenómeno que, ao ser mais conhecido, poderia criar colaborações e boas cumplicidades.
Por isso não se deve estranhar que também surjam iniciativas políticas de debaixo das pedras, desde a criação de plataformas e agrupamentos até à organização das actuais consultas sobre a nossa soberania, ou as gandes manifestações que tornem o Verão cada vez mais quente.
E, por isso é estranho, em troca, que muitos portugueses participantes se encaminhem para a abstenção em períodos eleitorais.
Uma conclusão possível: a abundante iniciativa social não encontra lideranças políticas convincentes.
Sem comentários:
Enviar um comentário