
Nos bastidores das negociatas da política nacional, a principal palavra é a “terceirização”. Tornou-se numa espécie de “Abracadabra”, “Abre-te Sésamo”, a palavra ou frase mágica que permitia que os quarenta ladrões na caverna de Ali Babá, perdão, entrem nos palácios governamentais e façam a pilhagem.
É evidente que não se trata dos quarenta ladrões; por cá, em Portugal, são contados aos milhares e, literalmente, infestam a política e a administração pública em geral.
Devagar, devagarinho… não se vai à Ribeira Grande, essas autoridades foram desmobilizando a mais importante instituição do país: o concurso público, que se aplica apenas por uma questão formal, sabendo-se antecipadamente quem serão os felizes contemplados.
Criado há muitos anos, o concurso público significa uma grande conquista social, uma vez que estabelece o sistema do mérito para preenchimento de cargos na administração e empresas públicas.
Mas, essa notável instituição está cada vez mais desvalorizada, e os serviços (ainda) públicos estão cada vez mais terceirizados. Se somarmos os das esferas municipais, encontramos cerca de milhão e meio de trabalhadores nessas condições.
Entravam pela janela, ou melhor, pela porta das trazeiras, e não têm direitos, porque quase todos eles estão pendurados em falsas cooperativas de trabalho, que têm “dono”, e alcançam lucros elevadíssimos para repartir com as autoridades e fazem fortunas à custa do erário público.
Cada trabalhador, hipoteticamente, é “sócio” da cooperativa, ou seja, pode votar e escolher os dirigentes e participar nos resultados, uma vez que as cooperativas não têm fins lucrativos. Quer dizer, não deviam ter…
Há demasiados terceirizados em Portugal, enquanto os “primeirizados” dirigentes e administradores, tudo fazem para os terceirizar cada vez mais, sob o compacente olhar de suas excelências.
O facto é que, os terceirizados estão há vários anos a trabalhar, tornaram-se fundamentais para o desempenho das administrações, e agora necessitam de ver a sua situação regularizada, no país infestado de recibos falsos e falsos recibos verdes.
É um problema de enorme magnitude, que precisa de ser enfrentado de e com verdade.
As autoridades actuais têm de resolver esse problema, pois os terceirizados precisam de ser reconhecidos como trabalhadores reais.
Antes tarde que nunca, é fundamental restabelecer a exigência do concurso para ingresso nos quadros dos serviços públicos, caso contrário, que exemplo estaremos a dar às novas gerações?
O que é melhor: estudar, dedicar-se a investir no futuro, ou simplesmente arranjar um bom “padrinho?”
(Enviado por um Amigo)
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