A Morte do "Cisne" Fantástico e Emocionante


Vejam.



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(Enviado por um Amigo)



segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Marrocos, Tunísia, Egipto…



Essas antigas ditaduras.. – segundo Ignácio Ramonet no Le Monde Diplomatique – Uma ditadura na Tunísia? No Egipto, uma ditadura? Vendo os meios de comunicação atrapalharem-se com a palavra “ditadura” aaplicada à Tunísia de Bem Ali, e ao Egipto de Mubarak, os franceses devem estar a perguntar-se se entenderam ou leram bem. Esses mesmos meios de comunicação e esses mesmos jornalistas não insistiram durante décadas que esses dois países amigos eram “modestos Estados”? A horrível palavra “ditadura” não estava exclusivamente reservada ao mundo árabe muçulmano (depois da destruição da “espantosa tirania” de Saddam Hussein no Iraque) e ao regime iraniano? Havia, então, outras ditaduras na região? E isso foi ocultado pelos meios de comunicação na nossa exemplar democracia? Eis, aqui, em todo o caso, um primeiro abrir de olhos, que devemos ao rebelde povo da Tunísia. A sua prodigiosa vitória, libertou os europeus da “retórica hipócrita de ocultação” em vigor nas nossas chancelarias…
Obrigados a tirar a máscara, simulam descobrir o que sabíamos há algum tempo, a saber, que as “ditaduras amigas”, não são mais que isso: regimes opressivos. Sobre esse assunto, os meuios de comunicação não têm feito outra coisa que seguir a “linha oficial”: fechar os olhos ou olhar para outro lado, confirmando a ideia de que a imprensa só é livre em relação aos fracos e aos povos isolados.
Por acaso Nicolas Sarkozy não teve a altivez de assegurar que na Tunísia “havia desespero, sofrimento, um sentimento de angústia que precisamos de conhecer, não havíamos apreciado na sua justa medida”, ao referir-se ao sistema mafioso do clã Bem Ali-Trabelsi?”
“Não havíamos apreciado na sua justa medida…” Em 23 anos… Apesar de contar, neste país, com serviços diplomáticos mais prolíficos que os de qualquer outro país… Apesar da colaboração em todos os sectores de segurança (polícia, inteligência…) Apesar das estâncias regulares de altos responsáveis políticos e mediáticos que estabeleciam ali, descomplexadamente, os seus locais de veraneio… Apesar da existência, na França, de dirigentes exilados da oposição tinisina, mantidos marginalizados, como se com peste, pelas autoridades francesas e com acesso proibido durante décadas aos grandes meios de comunicação… Democracia ruinosa…
Na realidade, esses regimes autoritários foram (e continuam a ser) protegidos de modo complacente pelas democracias europeias, que desprezaram os seus valores sob o pretexto de que constituiam baluartes contra o islamismo radical. O mesmo cínico argumento usado pelo Ocidente durante a Guerra Fria para ajudar ditaduras militares na Europa (Espanha, Portugal, Grécia e Turquia) e na América latina, pretendendo impedir a chegada do comunismo ao poder.
Que formidável lição das sociedades árabes revolucionárias aquelas que, na europa, os descreviam, em tempos maniqueístas, ou seja, como massas dóceis submetidas a tiranos orientais corruptos ou como multidões histéricas possuídas pelo fanatismo religioso. E agora, de repente, surgem nos ecrãs dos computadores e televisores, preocupadas com o progresso social, não obsecadas pela questão religiosa, sedentas de liberdade, cansadas da corrupção, detestando as desigualdades e reclamando a democracia para todos. As sociedades da Tunísia e do Egipto mobilizaram-se com grande rapidez e desestabilizaram o poder em tempo recorde. Ainda antes de os movimentos terem a oportunidade de “amadurecer” e favorecer a emergência de novos dirigentes entre eles. É uma das raras ocasiões em que, sem líderes, sem organizações dirigentes e sem programa, a simples dinâmica da exasperação das massas bastou para conseguir o triunfo da revolução. Trata-se dum momento frágil e, sem dúvida, as grandes potências já trabalham, especialmente no Egipto, para que “tudo mude sem que nada mude”, segundo o velho dito de O Leopardo. Esses povos que conquistaram a sua liberdade, devem recordar a advertência de Balzac: “Matar-se-á a imprensa assim como se mata um povo, outorgando-lhe a liberdade”. Nas “democracias vigiadas”, é muito mais fácil domesticar legitimamente um povo que nas antigas ditaduras, mas isso não justifica a sua manutenção, nem deve ofuscar o ardor de derrotar a tirania.

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