
«Assassinam os pobres para comercializar os seus órgãos!»
A sombra do tráfico de órgãos humanos paira sobre o Kosovo e, após investigações trazerem á luz do dia pavorosas histórias, cujas tramas parecem extraídas de filmes de terror e suspense…
Diante da debilidade institucional e da imperante pobreza, o crime organizado toma forma nesse território, onde as leis carecem de implementação, devido à incapacidade das autoridades.
O aparecimento de novas provas, expressas por Sofia Sebastián, investigadora para os Balcãs na fundação para as Relações Internacionais e o Diálogo Social, ocorreu num momento em que ainda ficam por esclarecer denúncias de Carla Del Ponte, ex-fiscal-chefe do Tribunal Penal Internacional para a antiga Jugoslávia (TYP), sobre o tráfico de órgãos depois do conflito entre sérvios e albano-kosovares, em 1999 e 2000.
As acusações de Del Ponte, reflectidas no seu livro «The Hunt: Me and the War Criminals» (A Caça: Eu e os Criminosos de Guerra), ficaram em suspenso, já que nunca aportou evidências concretas, sublinham pesquisadores.
Muitas das imputações, também provenientes de Belgrado, capital da Sérvia, onde se responsabilizava membros do Exército de Libertação do Kosovo (UCK) pelo sequestro de civis neste país, para depois os matar e vender parte dos seus corpos.
O Parlamento do Kosovo declarou em Fevereiro de 2008, de maneira unilateral, a independência do enclave, antiga província sérvia, considerada berço da cultura e religião dessa nação balcânica.
Um negócio horripilante, uma década depois das denúncias e depois da publicação de «A Caça:…», o ex-fiscal suiço e actual parlamentar do Conselho Europeu, Dick Marty, oferece provas reveladoras contra o UCK e suas principais figuras que, actualmente encabeçam o governo kosovar.
O documento elaborado pelo servidor público europeu, numa árdua investigação, qualifica da pavorosos os factos ocorridos em terras balcânicas.
Os prisioneiros eram alimentados razoavelmente bem, e depois, por meio de ditames médicos, eram transportados ao Centro da Albânia e ultimavam-nos com um tiro na cabeça para extrair os seus órgãos e vendê-los no estrangeiro, descreve Marty.
De clínica médica a bazar de horrores, como parte doutra investigação – também por tráfico de órgãos no Kosovo – a Polícia Internacional (Interpol) prendeu, em meados de Janeiro, em Istambul, o médico Jusuf Sonmez (conhecido como Doutor Vampiro e Buitre Doctor), sob uma ordem emitida por um Tribunal de Pristina.
O relatório de Marty sustenta que todos os casos de tráfico de órgãos humanos de pessoas dos arredores do Kosovo, foram organizados, nos últimos anos, pelos mesmos autores, o que põe em evidência os mesmos relacionados com o caso da Clínica Medicus e, sobretudo com a fraca ou nula acção das autoridades duma Europa esfarrapada e na falência política, mas também económica e sobretudo Social.
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