
f actualidades _ 29 / 05 / 09
d global – ao passear entre as árvores mais altas, escutando o tresmalhar das folhas, e o gemer dos ramos e o ranger dos troncos... tive por ouvido o verbo de um ancião plátano multimilenário que me rumorejou de grave e imponente :
“ó... tu... pequeno bípede... sim... tu, que passas cabisbaixo, levanta essa fronte, olha para mim... mais para cima... isso, mostra-me a tua face...”
-contemplei o alto e em redor, olhei a voz que me envolvia.
“o que fazes aqui, no meu tempo, longe dos outros símios,
quem to permite a afronta... sabes quem sou, o que testemunhei, as eras que já vivi...?!”
-eu, só olhos, esticadinho em terror... e continuou !
“a vossa história conheço-a de cor, e não é como vós a contais, nada é como vós dizeis, a verdade nunca vos interessou, o que os vossos avós e os vossos pais vos disseram não foi o que eles viveram, e o que contais aos vossos filhos é genuína e fácil mentira... não tendes nem o dom nem o culto da memória, e com a vossa parca longevidade, bem que vos traria proveito...”
-sentei-me na terra quente, dói-me o pescoço...
“... e não foram as religiões que vos emendaram... as religiões dos homens, feitas pelos homens, cultivadas pelos homens... só podiam ser a continuidade da aspereza, o espessar das distâncias e o legitimar de mais e mais querelas, ódios e guerras... ah... como vós gostais da guerra... não passa uma década sem que se inicie uma nova, por qualquer interesse, com ou sem justiça e onde quer que seja... também, se não se matassem uns aos outros, já se teriam multiplicado de tal maneira, que era eu que vos olhava do fundo da terra...”
-o queixo cedeu-se-me, jazo de boca aberta, solto uma lágrima.
“siddartha nasceu, um pouco mais do que mais ou menos, no ano quinhentos antes de cristo, cristo nasceu quinhentos anos antes de mohammed... sois seres humanos respirantes, vivos e contemporâneos de um conhecimento e uma informação nunca antes experimentada pela vossa mísera raça... tendes saber ilimitado para trás e para a frente, do passado e do futuro... o que ides fazer com isso...?! esquecer, fingir que não o sabem... o que ides fazer... o quê por gaia...?!
-“... penso que temos que ter mais cuidado, eu...” murmurei a tremer e aguado em mim !
“já é um começo... ter mais cuidado, muito mais cuidado...
está bem, sanciono, tens a minha bênção, pequeno bípede...
mas passa a palavra... é essa a tua sujeição, fá-lo !!!”
sopra uma curta brisa, as folhas que alavam, caíram e assentaram, finalmente... silêncio !
lélio m p o
Sem comentários:
Enviar um comentário