
Pediram-lhe uma entrevista e ele prontamente acedeu.
Mas, antes de iniciar a conversa com os convidados da imprensa, o político mostrou que estava disposto a dar uma entrevista reveladora. «Vamos combinar o seguinte: podem fazer as perguntas que entenderem, por mais inconvenientes que pareçam», disse ele, ao ocupar a cabeceira da comprida mesa de reuniões do seu improvisado gabinete. «Vamos adoptar o seguinte: é proibido proibir», e riu-se, satisfeito com aquela tirada.
Afinal, é um democrata.
E assim foi. Animado, coloquial e bem humorado, falou durante quase duas horas, sem recusar nenhum tema proposto. Em dois momentos mostrou um especial estado de espírito. Primeiro, um largo sorriso, quando recebeu dum assessor, durante a conversa, os dados duma estatística. Pouco depois, ficaria de olhos marejados, quando falava dos pincipais legados que julga deixar, se e quando deixar o lugar. Todos deveríamos ficar comovidos porque, efectivamente, muito devemos aos denodados esforços dos homens da política. Verdadeiros democratas com reais preocupações sociais. Assim vale a pena, não estivessemos em Portugal.
É que nunca tremem nem tomam atitudes precipitadas. Agem sempre para o bem do país, a quem servem escrpulosamente, e da população, mesmo que esta viva na miséria e na fome. Mas, só eles sabem pelo que passam durante todo o tempo que passam na política.
É duro estar na política. Ter de viajar por outros países e continentes, receber presentes (recordações) que nem sabem que fazer deles nem onde os colocar. Essa é a parte mais séria da vida deles. E aqueles que vão acumulando medidas acertadas nas políticas sociais, ao mesmo tempo que afirmam que o país precisa de ser socializado, enquanto praticam políticas aliadas ao mais elevado grau de capitalismo mundial… Realmente é duro ser político.
De vez em quando aparece um bico de obra, como a preparação da cimeira da OTAN em Lisboa lá mais para o fim do ano. Toda a canseira com a segurança de todos os visitantes vai retirar boas horas de sono a alguns, porque pretendem construir equipas de pessoas com anos de experiência para porem em prática as condições e para que possam, todos os visitantes, respirar em paz e sossego. É muito duro ser político. Mas, é também necessário preparar os discursos, sobretudo baseados numa política de desenvolvimento social, mesmo na guerra.
Mas, aquele político, modesto e simpático, diligente e sincero como ninguém mais, até já foi contactado para, no fim do seu mandato, ocupar um cargo na ONU. Já não é o primeiro. Será o último? Não creio, tão bons e sinceros são os nossos políticos.
Embora eu considere que a ONU é uma instituição dirigida por burocratas de alto gabarito, que têm consciência de que deveria ser subordinada aos presidentes dos países, não quer dizer que, não se deva, até por coincidência, colocar lá alguém que tenha mais força que alguns presidentes havendo, no mínimo, uma anomalia. Transformar a instituição criada para servir os países com pessoas que mandam mais. Como os americanos, por exemplo.Imagine-se se a moda pega e os ex-presidentes americans se resolviam a ser secretários-gerais da ONU.
Não acredito que o façam, porque todos ficariam a saber a quem pertence e para que existe a ONU, tal como a OTAN a quem alguns preferem chamar de NATO, sigla em inglês, que sempre dá outro ar.
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