
É frequente que as crianças de países do terceiro mundo, especialmente visitados por ocidentais, façam um curioso pedido. Aproximam-se dos turistas e pedem uma moeda do seu país e, no caso de não terem êxito, pedem uma esferográrfica.
Com este pedido aponta-se directamente sobre a má consciência do turista. Uma esferográfica não é uma kalazhnikov, mas uma ferramenta para a poesia, para as declarações de amor, para conhecer o nome das coisas. Quem pode negar-se a dar uma ferramenta tão poderosa e ao mesmo tempo tão inocente?
Passo por papelarias que me recordam o negócio dos cadernos ou blocos em alta, e que cada vez se vendem mais. “As pessoas procuram blocos de folhas em branco, sem quadradinhos ou linhas.
Trata-se de blocos que se oferecem para que outros neles escrevam.” Pergunto-me que sucederia se todos esses cadernos ou blocos acabassem com todas as folhas cheias de literatura. “Viveríamos num país de grafómanos. “De quê?” “De pessoas que não passam nem um minuto sem plasmar sobre o papel o que vê e o que sente. Um país de sábios, para nos entenderem”.
Mas, voltemos aos “bolígrafos”, lápis ou esferográficas. Pergunto-me e pergunto: “quantas esferográficas são deitadas fora por ter secado a tinta? Quantas por se ter acabado?”
Sem dúvida, antes dessa morte da esferográfica por falta de combustível, todos os instrumentos de escrever já terão desaparecido pela inconsciente cleptomania doutros escrevidores, conscientes da volatilidade da propriedade das coisas miúdas, há tempos entrei numa bela livraria e papelaria.
Disse à encantadora senhora que me atendeu que aquela era a única do género e que devia dar o nome à rua, e pedi-lhe uma esferográfica para ser perdida. Aconselhou-me uma barata, que tinha sido concebida pela Nasa para poder escrever com o bico virado para cima. Custava 15 euros o que não era uma quantia para a condenar ao extravio A verdade é que, hoje tenho no bolso a tal esferográfica, que já faz parte de mim e eu, sem ser astronauta, faço parte dela.
Não gostaria que esse instrumento acabasse por sucumbir ao seu destino e se separasse de mim. Mas, tarde ou cedo essas pequenas coisas acontecerão.
O ecrã, monitor, substituirá o bloco de papel, o teclado fará desaparecer a esferográfica e as proibições sobre fumar acabarão com os fósforos e isqueiros e essas pequenas chamas com que iluminam aqueles concertos dos que cantam à liberdade ao ar livre.
Escrever á mão será considerado por alguns médicos como uma raridade psicológica que levará o calígrafo ao ostracismo.
E a socialização do fogo, que um dia foi um salto em frente na evolução da espécie, passará a ser uma mania antiga que aproximará o proprietário efémero de ascender à categoria de potencial pirómano.
Por sorte, a indústria das coisas perdidas contonua em marcha. E essas ferramentas tão fáceis cobram, com o tempo, o valor do engenho.
(Enviado por um Amigo)
Mas, voltemos aos “bolígrafos”, lápis ou esferográficas. Pergunto-me e pergunto: “quantas esferográficas são deitadas fora por ter secado a tinta? Quantas por se ter acabado?”
Sem dúvida, antes dessa morte da esferográfica por falta de combustível, todos os instrumentos de escrever já terão desaparecido pela inconsciente cleptomania doutros escrevidores, conscientes da volatilidade da propriedade das coisas miúdas, há tempos entrei numa bela livraria e papelaria.
Disse à encantadora senhora que me atendeu que aquela era a única do género e que devia dar o nome à rua, e pedi-lhe uma esferográfica para ser perdida. Aconselhou-me uma barata, que tinha sido concebida pela Nasa para poder escrever com o bico virado para cima. Custava 15 euros o que não era uma quantia para a condenar ao extravio A verdade é que, hoje tenho no bolso a tal esferográfica, que já faz parte de mim e eu, sem ser astronauta, faço parte dela.
Não gostaria que esse instrumento acabasse por sucumbir ao seu destino e se separasse de mim. Mas, tarde ou cedo essas pequenas coisas acontecerão.
O ecrã, monitor, substituirá o bloco de papel, o teclado fará desaparecer a esferográfica e as proibições sobre fumar acabarão com os fósforos e isqueiros e essas pequenas chamas com que iluminam aqueles concertos dos que cantam à liberdade ao ar livre.
Escrever á mão será considerado por alguns médicos como uma raridade psicológica que levará o calígrafo ao ostracismo.
E a socialização do fogo, que um dia foi um salto em frente na evolução da espécie, passará a ser uma mania antiga que aproximará o proprietário efémero de ascender à categoria de potencial pirómano.
Por sorte, a indústria das coisas perdidas contonua em marcha. E essas ferramentas tão fáceis cobram, com o tempo, o valor do engenho.
(Enviado por um Amigo)
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