Certo acontecimennto, na Alemanha, após a década de convulsão social dum parlamentarismo que não funcionava, o presidente Paul von Hindenburg viu-se numa situação bicuda e resolveu tentar agregar a direita, nomeando chanceler Adolf Hitler.Não era nenhuma novidade o anti-semitismo de Hitler (professado publicamente e já tinha escrito “Mein Kampf”), muito menos as suas ideias para a Alemanha. A pretensão de Hindenburg de controlar o pintor austríaco foi um retmbante fracasso, e sabemos o que aconteceu com a Alemanha e o mundo até ao fim da Segunda Guerra Mundial.
A pergunta feita ao longo das décadas é como isso foi possível, principalmente na Alemanha, país tido como o mais culturalemente desenvolvido naquela época.
Várias respostas foram dadas e, pelo menos duas tornaram-se instantaneamente clássicas. A “Dialética do Esclarecimento”, de Adorno e Horkheimer e “As origens do Totalitarismo”, de Annah Arendt.
Apesar de visões opostas, são textos complementares. Enquanto Arendt faz um levantamento da irracionalidade do Estado nazista, como um organograma tão confuso que fazia o subordinado ter medo e, por isso, obedecer a toda e qualquer ordem. Adorno e Horkheimer rassaltavam justamente a racionalidade instrumento do nazismo, junto da moderna ciência da administração, que levada ao extremo produziu corpos com o menor custo possível, e questionaram-se onde o projecto de civilização teria traído as suas promessaas a ponto de se tornar o oposto do que prometia ser.
A lógica nazista, racional e quase asséptica, foi responsável pelo assassinato directo de cerca de seis milhões de pessoas, basicamente judeus, mas também comunistas, homossexuais, deficientes físicos e mentais, e… ciganos.
Hoje, 65 anos depois, do outro lado do reno, na França de Paris, que um dia esteve na vanguarda ao proclamar os direitos do homem, que foi ocupada por Hitler, e na França de Vichy, do colaboracionista General Pétain, que substitui o lema da revolução Francesa, pelo “Trabalho, Família e Pátria”, estão a mimetizar em menor escala, o ódio ao outro, o ódio ao imigrante, ao cigano, expulsando-os. O governo francês perde-se em justificações espúrias, ao dizer que o que está a fazer é o simples combate à imigração ilegal. O argumento já caiu por terra, e é nessa zona cinzenta que se move o jovem francês, ao utilizar o argumento do desemprego. Ocorre que, mesmo se fosse verificado como facto, a expulsão ou, eufemisticamente, extradição, só poderia ser feita individualmente.
Portugal vive em efervescência por causa dos PEC, agora o 3 e suas medidas restritivas que, certamente levarão os portugueses à talvez maior movimentação social de que haja memória.
Termino em um trecho poema “No Caminho de Maiakóvsky” do poeta brasileiro Eduardo Costa:
«Na primeira noite, eles aproximaram-se/e roubaram uma flor do nosso jardim./ E não dizemos nada./ Na segunda noite, já não se escondem;/pisam as flores/matam o nosso cão/ e não dizem nada./Até que um dia,/ o mais frágil deles/ entra sozinho na nossa casa, /rouba-nos a luz e,/ conhecendo o nosso medo/ arranca-nos a voz da garganta./E já não podemos dizer nada.
(Enviado por um Amigo)
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