
Em princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que é muito louvável, mas os nossos desejos são muito mais complexos.
Não basta estarmos com saúde: além dela, queremos ter fortuna e sermos irresistíveis.
Dinheiro? Não basta termo-lo para pagar a renda decasa, a alimentação e outras despesas, que hoje são muitas, quando o dinheiro é cada vez mais escasso. Diria que privilégio de alguns…
Queremos sempre mais e, de forma exemplar, tudo nos negam os que governam, porque se governam.
Quanto ao amor… Ah, o amor! Não é suficiente termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma refeição e fazer sexo de vez em quando. Essa forma de pensar é de pobre, pois queremos amor em maiúsculo.
Queremos estar visceralmente apaixonados, ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, jantar à luz das velas… queremos exo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não doutro modo. É o que faz ver tanta televisão.
Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes duma forma mais realista. Ter uma parceira constante pode, ou não, ser sinónimo de felicidade.
Há quem seja feliz solteiro; feliz com uns romances ocasionais, feliz com uma parceira, por vezes sem nenhuma…
Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio.
O dinheiro é uma benção. Quem o tem, precisa de o aproveitar, de o gastar, de dele usufruir.
Não perder tempo e poupá-lo, juntá-lo. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não prisoneiro.
E se temos tão pouco, é com esse pouco que se vai tentar segurar a vida, promovendo coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, de fé e alguma criatividade.
Ser feliz duma forma realista é fazer o possível, aceitando o improvável.
Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem pretender o estrelato, amar sem ansiar o eterno.
Olha-se para o relógio e é já hora de acordar. É importante pensar-se ao extremo, buscar bem dentro de nós o que nos move, mobiliza, instiga e conduz sem, todavia, o exigirmos desumanamente, porque a vida não é um jogo onde, só quem testa os seus limites leva o prémio.
Não sejamos vítimas ingénuas dessa tal competitividade, de que tanto falam os políticos para nos dificultarem cada vez mais a vida…
Se a meta é demasiado longe, temos de reduzir a etapa. Se não estamos de acordo com as regras, só devemos fazê-lo ver ou demitir-nos, inventando o nosso próprio jogo.
É preciso fazer o necessário para sermos felizes. Mas, não nos esqueçamos que a felicidade é um sentimento simples; podemos encontrá-la, deixá-la ir embora sem percebermos a sua simplicidade, porque ela transmite paz e não fortes sentimentos que nos atormentam e provocam inquietude.
Podemos sentir alegria, paixão e entusiasmo, mas não felicidade. E, se persistirmos, saibamos encontrar e viver em paz connosco e com os outros.
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