A Morte do "Cisne" Fantástico e Emocionante


Vejam.



http://www.youtube.com/watch?v=RM2Aio9mvNE&feature=player_embedded



(Enviado por um Amigo)



terça-feira, 8 de março de 2011

O tempo…



«O futuro tortura-nos e o passado acorrenta-nos. Eis porque o presente nos foge…», disse Gustave Flaubert.

«Fugiti irreparabile tempus». Esta frase, dita por Virgílio nas Geórgicas, ao terminar uma digressão, é muitas vezes usada para lembrar que «o tempo voa».

Sem perder mais tempo, o governo, através do ministro das Finanças, enviou uma carta, possivelmente por correio expresso, a proibir actualizações salariais que chegaram às administrações de empresas públicas na quinta-feira. No entanto, haverrá excepções, talvez respeitantes a amigos…

Ao aumentar 1,25% em 2010 as pensões de acidentados de trabalho, fica bem demonstrado o desprezo a que são votadas as pessoas atingidas.

O ministro das Finanças, no que diz respeito às excepções, os tais “casos excepcionais”, em que a análise será casuística (?) e tendo em conta a situação específica da empresa e o seu funcionamento face a concorrentes, consegue matar dois coelhos duma só cajadada: dividir ainda mais os trabalhadores e provocar mais fracturas sociais, o que leva afalar sobre um dia de trabalho.

Ao amanhecer, no espreguiçar habitual, a aurora abraça o sol (que não é igual para todos), acordando homens e mulheres para mais uma jornada de trabalho, porque é preciso alimentar as bocas que se abrem famintas e por vezes se fecham do mesmo modo.

Todos correm como formigas, na diversidade das suas diferenças, erguedo ferramentas e, no auge da sua responsabilidade, no uso da função que a luta, seja caneta, bisturi, enxada ou que instrumento for, coisa que não importa, todos trabalham por igual, dignificando o tempo, marchando ao encontro da prosperidade para o amanhã, a recompensa do seu trabalho. E aqueles que ainda compreendem, consideram abençoadas as mãos do trabalhador.

Todos os trabalhadores fazem uma declaração de vida na sua relação neste grande baile de máscaras em que se tornou Portugal. Vivem fantasias de personagens fantásticas, que aos poucos vão caindo e fazem com que nos mostremos despidos de crueldades, por vezes reféns dos medos. Não temos a interferência do olhar nem do toque físico, uma vez que as relaçoes protegidas pelo distanciamento magistralmente demonstrado pelas profundas decisões dos governantes.

A sedução é a principal arma de aproximação, que dura apenas uma campanha. A população laboral procura valorizar-se, aumentar os conhecimentos, porque pensa que a meta é o conhecimento pelo seu trabalho diário. Pensa que lhe disponibilizam oportunidades para suprir às suas necessidades. E aí, entra a paixão… um estado alterado de consciência em que se encontram as energias, uma fantasia. Porque a população laboral se apaixona pelo sentimento, pela felicidade e pelos sonhos. Na paixão, não vê os defeitos, mas apenas o estado de graça e o prazer…

E, enquanto os ministros se apaixonam por eles mesmos, pela sua capacidade de seduzir e nos envolver, apesar dos recursos adquiridos e usados para nos conhecerem melhor, usam e abusam porque, para eles, o que conta é a aparência, a posição sócio-económica e cultural A sua imaginação transforma a vida da população, uma miserável forma de vida e mostra-nos um caminho para que percamos o Ego e mostremos apenas o que querem que mostremos ou sejamos.

Termino com a frase incial: «O futuro tortura-nos e o passado acorrenta-nos. Eis porque o presente nos foge…»

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