
Da importância da matiz escreveu-se muito e conversou-se demais. Sabemos que as ideias, os conceitos… não são brancos nem pretos, mas que se movem na ampla gama dos cinzentos.
Daí que, por exemplo, no social e na solidariedade, as grandes decepções tenham por causa os sentimentos furta-cores, como deixou escrito Paul Berget, que de mudanças na sua trajectória teve bastantes e profundas. E se interiorizarmos isso na nossa vida, aprendendo-o à custa de frustrações, por que razão estranhamos quando se trata de abordar opiniões ou determinadas atitudes públicas?
Se contestarmos, devido à segurança das nossas convicções, alguém nos lembrará que são tão volúveis como adaptáveis ao decorrer do tempo, ou que, por não serem legítimas, são certeiras.
Se nos refugiarmos na liberdade individual, replicar-nos-ão que tudo pode acabar ali, onde começa a do contrário, a quem devemos respeito. E se nos amparamos na tradição “familiar”, podem espetar-nos que nem tudo o que reluz é ouro e que devemos humilhar-nos a pedir para podermos trabalhar em função dos mais pobres e doentes.
Assim as coisas, no fim, podemos deduzir que o grotesco traço da ditadura é grosso e que o modo como nos expressamos, em nome colectivo, não nos serve de escudo para nos podermos defender fcilmente sem termos que espremer demasiado o cérebro. Para grandes males, grandes remédios. Seja a promoção ou a proibição, seja o independentismo ou o passar da esponja sobre o assunto.
Estamos em Março e dedicamo-nos em especial á “política social” e a discutir os resultados dos nossos pedidos e solicitações. Nos dois âmbitos, a polémica teve um tom de maximalismo, mais que de cores, de paleta e de pincel. E, os defensores e detractores de ambos os debates escudaram-se no parapeito das suas posições irredutíveis, mais que na ductilidade de entender que as opiniões contrárias albergam um ponto de razão, porque a verdade que nos fará livres, está na súmula das crenças. Acontece, não obstante, que buscamos um espaço onde possamos trabalhar em prol dos mais desfavorecidos que até hoje nos tem sido recusado, mesmo sabendo quão úteis podemos ser a essa camada social.
E, assim, por prática ou por entusiasmo, por facilidade ou por despeito, por busca do desprezo, vamos dluindo as matizes existentes até deixarmos a frente despejada do que melhor a ampara: a gradação; pela degradação pessoal e familiar. Aqueles que querem ver o copo do seccionismo meio cheio, não admitem nenhum, sendo-lhes reconhecida cobardia no lugar da coragem no êxito das suas façanhas, e nem nos permitimos discutir a sua leitura posterior de extrapolação dum caminho mais entusiasta que provável.
Aqueles que, sem qualquer direito estão pela abolição de certas instituições de cariz social, radicalizam as suas “razões” sem aceitar as dos que defendem e lutam, de modo desigual, entre o querer e o poder. E, nesta espiral, movemo-nos até desenharmos uma imagem de intolerância que, em defesa da liberdade e dos direitos dos mais débeis e pobres, desamparam os que reclamam nesse sentido.
(Enviado por um Amigo)
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