A Morte do "Cisne" Fantástico e Emocionante


Vejam.



http://www.youtube.com/watch?v=RM2Aio9mvNE&feature=player_embedded



(Enviado por um Amigo)



domingo, 30 de janeiro de 2011

«Mosquitos»

O mosquito comum (Culex Pipiens), é um verdadeiro calvário. O seu rapidíssimo bater de asas gera um insidioso zunido exasperante, capaz de irritar qualquer um.
Ainda por cima, há pessoas alérgicas às picadelas da fêmea, que é hematofaga. Espeta o aguilhão ne pele da vítima e injecta-lhe um irritante anticoagulante que mantém a fluidez do sangue enquanto dura a sucção. Daí as endiabradas burbulhas que ardem como fogo. Um animalzito francamente prescindível.
Por falar em fogo. Quando poderemos voltar a ver Portugal sem ser em chamas? Quando se poderá ouvir o ministro da Agricultura dizer de sua justiça? Cuidado com os charcos…
O pior era o mosquito anofeles (Anopheles Atroparvus). Até há pouco tempo infestava as zonas pantanosas europeias e actuava como transmissor da malária, o paludismo. Foi praticamente erradicado à força de insecticidas, por isso o paludismo foi desaparecendo da Europa.
Não é assim na maioria dos países tropicais, onde se transmite por obra doutras espécies de anofeles. Mas agora, que já lá vai a pandemia de gripe A, chegou-nos o mosquito tigre (Aedes Albopictus), que é uma espécie asiárica.
Em 2004 chegou à Península Ibérica e, em apenas seis anos, difundiu-se por toda a parte.
Parece que os primeiros mosquitos tigre chegaram à Europa em 1979, à Albânia e aos Estados Unidos (1986), emboscados em carregamentos de velhos pneus provenientes da China e do Japão, respectivamente. Importação imprevista e indesejável, porque são animais de picadela ainda mais dolorosa que a do mosquito comum, e de desenvolvimento muito rápido. Em qualquer charco, em sete ou oito dias os ovos eclodem e as larvas convertem-se em adultos.
Ao chegar o Inverno, as fêmeas põem os ovos, reistentes ao frio, que renascem no Verão seguinte. Um verdadeiro pesadelo.
As importações continuaram com os carregamentos de plantas ornamentais do Extremo Oriente. Dá que pensar. Com prescindíveis importações de flores,vieram inumeráveis noites de insónia e um sério agravamento para os cofres municipais, que devem fazer frente a fumigações onerosas. (Podiam no entanto reaver esse dinheiro se zelassem pela obrigatoriedade de limpeza das florestas e, se não fossem devidamente limpas, para evitar a «época dos fogos», multa em cima e verbas para os cofres).
No entanto, com êxito inceto, porque em qualquer canto despercebido, e hoje tanta coisa passa despercebida apesar de todos os meios tecnológicos e tantas câmaras de vigilância, pode haver um recipiente com água estagnada. Numa semana, até 300/400 metros em redor, chegarão os mosquitos tigre. Ou seja, rapidamente a toda a cidade. Bastaria acabar com esses charcos disseminados. Demasiado trabalho, numa sociedade vítima dum bem-estar abúlico.
Preferimos exigir que nos encham de insecticida duas vezes por mês. Picados e fumigados, é uma beleza. Reveladora metáfora, recheada de amarga realidade. Enquanto nos trópicos, vários anofeles da malária e o aedes da febre amarela e do dengue (Aedes Algyfiti) fazem algo mais que arruinar o veraneio de gente acomodada, matam milhões de pobres que não podem comprar insecticida nem importar plantas ornamentais.

(Enviado por um Amigo)

Você merece ler isso para se inspirar e valorizar a sua vida...


Escrito por Regina Brett, 90 anos de idade, em The Plain Dealer, Cleveland , Ohio "Para celebrar o meu envelhecimento, certo dia eu escrevi as 45 lições que a vida me ensinou. É a coluna mais solicitada que eu já escrevi."Meu hodômetro passou dos 90 em agosto, portanto aqui vai a coluna mais uma vez:
1. A vida não é justa, mas ainda é boa.
2. Quando estiver em dúvida, dê somente, o próximo passo, pequeno.
3. A vida é muito curta para desperdiçá-la odiando alguém.
4. Seu trabalho não cuidará de você quando você ficar doente. Seus amigos e familiares cuidarão. Permaneça em contato.
5. Pague mensalmente seus cartões de crédito.
6. Você não tem que ganhar todas as vezes. Concorde em discordar.
7. Chore com alguém. Cura melhor do que chorar sozinho.
8. É bom ficar bravo com Deus. Ele pode suportar isso.
9. Economize para a aposentadoria começando com seu primeiro salário.
10. Quanto a chocolate, é inútil resistir.
11. Faça as pazes com seu passado, assim ele não atrapalha o presente.
12. É bom deixar suas crianças verem que você chora.
13. Não compare sua vida com a dos outros. Você não tem idéia do que é a jornada deles.
14. Se um relacionamento tiver que ser um segredo, você não deveria entrar nele.
15. Tudo pode mudar num piscar de olhos. Mas não se preocupe; Deus nunca pisca.
16. Respire fundo. Isso acalma a mente.
17. Livre-se de qualquer coisa que não seja útil, bonito ou alegre.
18. Qualquer coisa que não o matar o tornará realmente mais forte.
19. Nunca é muito tarde para ter uma infância feliz. Mas a segunda vez é por sua conta e ninguém mais.
20. Quando se trata do que você ama na vida, não aceite um não como resposta.
21. Acenda as velas, use os lençóis bonitos, use lingerie chic. Não guarde isto para uma ocasião especial. Hoje é especial.
22. Prepare-se mais do que o necessário, depois siga com o fluxo.
23. Seja excêntrica agora. Não espere pela velhice para vestir roxo.
24. O órgão sexual mais importante é o cérebro.
25. Ninguém mais é responsável pela sua felicidade, somente você..
26. Enquadre todos os assim chamados "desastres" com estas palavras 'Em cinco anos, isto importará?'
27. Sempre escolha a vida.
28. Perdoe tudo de todo mundo.
29. O que outras pessoas pensam de você não é da sua conta.
30. O tempo cura quase tudo. Dê tempo ao tempo.
31. Não importa quão boa ou ruim é uma situação, ela mudará.
32. Não se leve muito a sério. Ninguém faz isso.
33. Acredite em milagres.
34. Deus ama você porque ele é Deus, não por causa de qualquer coisa que você fez ou não fez.
35. Não faça auditoria na vida. Destaque-se e aproveite-a ao máximo agora.
36. Envelhecer ganha da alternativa -- morrer jovem.
37. Suas crianças têm apenas uma infância.
38. Tudo que verdadeiramente importa no final é que você amou.
39. Saia de casa todos os dias. Os milagres estão esperando em todos os lugares.
40. Se todos nós colocássemos nossos problemas em uma pilha e víssemos todos os outros como eles são, nós pegaríamos nossos mesmos problemas de volta.
41. A inveja é uma perda de tempo. Você já tem tudo o que precisa.
42. O melhor ainda está por vir.
43. Não importa como você se sente, levante-se, vista-se bem e apareça.
44. Produza!
45. A vida não está amarrada com um laço, mas ainda é um presente.
(Enviado por um Amigo)

sábado, 29 de janeiro de 2011

Multa no semáforo



Motorista, é uma terminologia dada a qualquer pessoa capaz de conduzir um veículo motorizado. Porém, dentro desta definição estão incluidas todas as profissões e a sua aus~encia, os domingueiros, os apressados, os zelosos e outros, que poderia perder um bom tempo e espaço a tentar definir.
Enfim, a patologia é vasta, mas uma coisa todos têm em comum: apanham, ou não, multa por causa dos faróis, e muitos escapam por passar no vermelho.
Como diria um comentarista desportivo: “ a regra é clara”. No verde, o cruzamento está livre, no amarelo euqer atenção (e pode seguir-se adiante “com atenção”) e no vermelho deve-se parar.
Mas, fica aquela dúvida. Está no amarelo… será que tenho tempo de passar? Travo e levo uma buzinadela, um insulto, uma pancada na traseira; ou acelero e tento passar sem apanhar uma multa? Cruel dilema.
É incrível a quantidade de motoristas que levam com multas diariamente, só pelo facto de desconhecerem algumas informações básicas contidas nos semáforos. E fica tudo a parecer uma lotaria. Vou ou não vou? Vai dar tempo… fixe. Zás, um choque e uma multa a atestar.
Abre o sinal e os carros saem disparados. Se observarmos atentamente uma passadeira, há uma linha contínua. Já alguém reparou nisso?
Essa linha tem grande importância, já que é ela quem determina se alguém vai ou não ser multado, se vai ou não passar no amarelo
Por outras palavras, se estamos a chegar a um semáforo e o sinal fica amarelo, mas já avançamos na extensão dessa linha e estamos no limite de velocidade permitido, conseguiremos passar o cruzamento sem sermos multados, mas arriscamo-nos a atropelar quem tenha iniciado a travessia da ua.
Por outro lado, se estamos a chegar ao cruzamento e o sinal fica amarelo e ainda não chegamos à linha da passadeira, deve travar-se, já que, fatalmente não conseguiremos passar antes do vemelho. Uma passadeira é sempre prioritária para quem a quer atravessa; pode ser uma criança, uma pessoa de idade avançada ou deficiente.
Se alguém pensa não ser fácil conduzir, não conduza, mas se o fizer e respeitar o código, evitará dissabores que não são apenas as multas.
Há locais que aos sábados de manhã seriam um verdadeiro manancial para a polícia e seus cofres.

Filhos – Educação e Família


Nos dias de hoje, vemos uma situação repetir-se nas escolas: os pais delegam cada vez mais a tarefa de educar os filhos apenas às escolas confundindo, muitas vezes, onde começa o trabalho dum e a responsabilidade do outro.
Parte-se dum pressuposto bem antigo: o de que a escola tem por obrigação ensinar valores morais aos filhos. Usando esta ideia, parte-se em demanda da escolha dos estabelecimentos onde os matricular. É interessante ver como os pais saem á procura de escolas católicas e tradicionais, ou do contrário, não religiosas e liberais. No entanto, nem sempre pensam se nas suas casas a criança terá o mesmo exemplo.
É necessário pontuar a importância de se pensar seriamente sobre isso, pois essa escolha, acontecendo de forma antagónica ao que temos como valores reais, e praticados, se tornará mais adiante numa questão de conflito para os educadores, pais e escola.
Sabemos que os professores passam hoje por uma situação de muito medo face aos alunos que têm na sala de aulas. Alunos que os desautorizam como se não reconhecessem naqueles que entram na sala os mestres.
Que se terá passado? Realmente, os valores não coinciddem entre o que escolhe e aquele a quem se entregam os filhos no início da fase escolar. É comum ver às portas das escolas mães a julgar atitudes dos professores, “absurdas”, na frente das crianças, criticando o mestre porque reprimiu (repreendeu) o seu filho ou outra criança da turma, retirando-o do recreio pondo-o de castigo… Nos dias de hoje? Não pode ser.
Pode sim, porque repreender faz pare de educar e o professor que faz isso, ou que irá reprovar um aluno mais á frente por meio ponto, está ali imbuído dessa autoridade e de condições que s pais devem respeitar e ensinar os filhos a fazer o mesmo.
Como da mesma forma, ao escolherem aquela escola mais liberal também escolhem que os filhos aprendam a pensar e construir a realidade através das suas experiências, discutindo e abrindo espaços para escolher e fazer. São escolas que absorvem a maioria das crianças que não se adaptam tão facilmente às escolas mais tradicionais e, assim, são levadas para ali como se fossem diferentes, mais exigentes ou com dificuldades de aprendizagem ou adaptação. Outro equívoco, pois as escolas mais liberais propõem liberdade de escolha e responabilidade pessoal. Esse é um objectivo onde também a questão religiosa não é o padrão católico apenas, e se pode conviver e conhecer outras realidades.
Enfim, não é um reformatório: precisamente o contrário. A escola não deveria adoptar esse papel de escola alternativa, tendo em vista que permite, assim, a confusão dos papeis e cria um preconceito entre crianlças que estudam nesse ou naquele modelo. Vejo os pais muito perdidos com os filhos quando passam por situações de stresse na escola. A primeira atitude, cada vez mais comum, infelizmente, é mudar o filho de escola sem procurar saber o que aconteceu, junto dos professores. Quando isso acontece, a crítica à escola fica pelos corredores.
Vê-se aí uma ausência de responsabilidades com o problema real, que se evidencia durante a presença do aluno na escola. Se as notas são fracas, o pais colocam os filhos em explicadores para corrigir de imediato as lacunas que ficaram por aprender, mas o mesmo não acontece quando o aluno apresenta dificuldades com a autoridade do mestre, ou no relacionamento com os colegas.Nesse caso, vai-se directamente ao gabinete do director, retiram os filhs daquela escola e levam-nos para outra… ou, após ter falado com o director, obtêm um encaminhamento para um psicólogo, podendo reflectir qual o papel da escola na vida da sociedade.
A escola deve contribuir para a continuidade de valores que vêm de casa, além de passar conteúdos pedagógicos e multidisciplinares. Nunca se deve substituir o que se aprende em casa. E, veja-se: não há nenhum modelo de perfeição em nenhuma exigência de padrões morais. Não! Falo de coerência com os nossos próprios princípios.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Comunicado do Comité Central do PCP

O Comité Central do Partido Comunista Português reuniu no dia 25 de Janeiropara analisar as eleições presidenciais, a situação política e os desenvolvimentosmais recentes do quadro económico e social nacional. O Comité Central apreciouainda aspectos da actividade e iniciativa política do Partido e debateu as tarefasimediatas para o reforço da organização e iniciativa partidárias.
1.A candidatura do PCP nas eleições presidenciais: a voz autónoma e indispensável no esclarecimento e luta pela ruptura e a mudança
1. A campanha e os resultados das eleições presidenciais de 23 de Janeiro, confirmam plenamente a importância da decisão do PCP de intervir com uma voz própria e autónoma no debate e esclarecimento sobre a situação do país e os seus responsáveis, o papel e poderes exigidos ao Presidente da República e a imperiosa necessidade de uma ruptura com a política de direita capaz de abrir caminho a um Portugal mais desenvolvido, justo e soberano.
A candidatura de Francisco Lopes assumiu-se nestas eleições como a alternativa a Cavaco Silva e à politica de direita com que este está comprometido. Tendo como centro da sua intervenção a afirmação de um outro rumo para Portugal, Francisco Lopes inscreveu no debate eleitoral os problemas do país, a denúncia das políticas e dos responsáveis pela situação nacional e deu uma contribuição única e singular na introdução na campanha de questões cruciais como as da valorização dos trabalhadores e dos seus direitos, da produção nacional, do controlo pelo Estado dos sectores estratégicos e do apoio às MPME, da exigência da subordinação do poder económico ao poder político, da afirmação da soberania e independência nacionais.
A votação obtida por Francisco Lopes – mais de 300 mil votos e 7,14% – constitui uma inequívoca afirmação de combatividade e de exigência de uma profunda mudança na vida nacional. Um apoio que contará como nenhum outro para a necessária e imprescindível continuação da luta contra as injustiças e o processo de declínio nacional para o qual PS, PSD, CDS e Cavaco Silva têm arrastado o país. Uma votação que vencendo a barreira de desvalorização, silenciamento e discriminação designadamente por parte dos principais órgãos de comunicação social, mobilizou vontades e determinação de milhares de portugueses para a luta por uma ruptura e mudança. Uma votação tão mais significativa quanto construída na base de uma empenhada mobilização popular que, combatendo a resignação e o conformismo, trouxe à campanha um projecto de esperança e confiança nos trabalhadores, no povo e no país.
2. A reeleição de Cavaco Silva, que culmina de forma negativa estas eleições, representa um factor de agravamento do rumo de declínio económico e de injustiça social, a submissão do país a interesses estrangeiros e à chantagem do grande capital, um incentivo ao prosseguimento da política de direita, seja com base na cooperação estratégica com o actual Governo do PS, seja com a cúmplice intervenção para viabilizar a chegada ao poder de um governo do PSD e do CDS. Uma presença na Presidência que procurará assegurar estabilidade à política de direita mas que significará mais instabilidade na vida dos trabalhadores e do povo.
Uma reeleição construída com base na abusiva utilização das suas funções institucionais assente na dissimulação descarada das suas responsabilidades pelos problemas nacionais e pelas gravosas medidas que atingem a vida de milhões de portugueses e na intolerável chantagem sobre os eleitores que nos últimos dias introduziu no seu discurso. Mas uma reeleição que é expressão e beneficiária directa do sentimento de indignação e rejeição da política do Governo do PS por parte de muitos eleitores que viram erradamente em Cavaco Silva uma forma de o expressar.
O resultado obtido por Cavaco Silva encerra inegavelmente um juízo negativo sobre o seu papel e responsabilidades que partilha na actual situação do país e do seu exercício na Presidência da República. Cavaco Silva é eleito não só com a menor das maiorias alcançadas até hoje numa eleição para um segundo mandato mas também com a mais baixa votação de sempre na eleição de um Presidente.3. O resultado obtido por Manuel Alegre, apoiado pelo PS e pelo BE, traduz-se numa votação significativamente abaixo das suas proclamações e é inseparável das contradições, ambiguidades e comprometimentos com o actual rumo do país. Resultado que não pode ser desligado do amplo sentimento de condenação da política de direita que o Governo de José Sócrates e o PS têm prosseguido contra os direitos e condições de vida dos trabalhadores e do povo português.
A permeabilidade de sectores do eleitorado a um discurso populista e demagógico – que os resultados de Fernando Nobre e José Coelho revelam – constitui um obstáculo à construção coerente de uma alternativa que assegure a ruptura com o actual rumo de injustiças, declínio e retrocesso. Resultados que, para lá das motivações que levaram milhares de eleitores a ver sincera, ainda que erradamente, nestas candidaturas uma expressão de protesto, é produto da crescente protecção mediática na promoção de falsas soluções e inconsequentes opções que são, em si, uma garantia de estabilidade à política de direita e aos seus promotores. Resultados alimentados na desilusão gerada em milhares de eleitores por sucessivas e erradas opções eleitorais que defraudaram expectativas, que não encontraram ainda o caminho de uma escolha coerente com os seus interesses e aspirações.
O Comité Central alerta para o significado de projectos, como o de Fernando Nobre nestas eleições, que verberando a política e os partidos escamoteiam o seu compromisso ao longo dos anos com projectos partidários da política de direita (designadamente Durão Barroso ou António Capucho do PSD, ou Mário Soares) e iludem a sua indisfarçável ligação a interesses económicos e a apoios partidários (parte do PS e da sua estrutura apoiou activamente a sua candidatura). Projectos que transportam concepções antidemocráticas que só podem contribuir para perpetuar os interesses dominantes. Projectos assentes num discurso que reclamando-se de “cidadania” ignora e exclui todos os que sempre se batem pela democracia e pelos direitos dos trabalhadores e do povo, enquanto exalta uma chamada “sociedade civil” preenchida pelos interesses dos grupos económicos, os seus agentes e beneficiários.
O valor recorde de abstenção (superior a 53%) e em particular os mais de 190 mil votos brancos testemunham, no quadro da operação de desvalorização das eleições e da importância do seu desfecho, a descrença, o conformismo e até a desorientação que a política de direita e os meios de comunicação dominantes têm alimentado com base na difusão das inevitabilidades, na ocultação das razões que estão na origem dos problemas do país, no falso nivelamento de responsabilidades quanto à situação nacional.
4. O Comité Central do PCP denuncia e alerta para o significado das declarações do secretário-geral do PS, José Sócrates, que renovando de imediato disponibilidades para novas cooperações estratégicas com Cavaco Silva, não só ignorou por completo a natureza e consequências da política do governo no desfecho destas eleições como reafirmou a sua intenção de prosseguir a ofensiva contra os trabalhadores e o povo.
A fuga em frente ensaiada pelo BE para encontrar noutros responsabilidades que lhe pertencem, não pode iludir o facto de ter partilhado com o PS e o seu governo o apoio a uma candidatura objectivamente comprometida com o essencial da política e opções que nos últimos trinta anos conduziram o país à actual situação. E sobretudo o facto de, mais do que empenho no objectivo de derrotar Cavaco Silva e a política de direita, o que se viu por parte do BE foi a intenção de tirar vantagens do apoio a Manuel Alegre ditado por critérios de calculismo partidário.
5. O Comité Central do PCP saúda os milhares de activistas e apoiantes – membros do PCP, da JCP, do PEV e da ID, e muitos outros independentes – que construíram uma campanha sem paralelo de contacto directo, de mobilização e esclarecimento. A corrente de mobilização que a candidatura de Francisco Lopes suscitou, o esclarecimento que fez sobre os problemas do país e a inestimável contribuição que a sua campanha deu para combater desalentos e descrenças, projecta-se num futuro próximo como um factor essencial para o desenvolvimento da luta e das batalhas políticas que a situação do país e a politica de direita impõe.

IIUma política de injustiças, declínio e retrocesso que é necessário travar.
1. No quadro da agudização da crise do capitalismo e da sua expressão no país, a entrada em vigor do Orçamento de Estado para 2011 e o conjunto de medidas que o acompanham – do ataque aos rendimentos dos trabalhadores e das famílias, ao corte do investimento público e à destruição de serviços públicos – não só não veio pôr cobro, como falsamente foi invocado, à especulação e chantagem financeira sobre o país como se constitui num factor acrescido de recessão económica e dependência externa.
A quebra real dos salários e rendimentos de trabalho (imposta pelo roubo dos salários na administração pública e no sector público empresarial, pelas reduções em sede de IRS das deduções específicas e pela violação do valor acordado para o aumento do salário mínimo nacional), o congelamento das pensões de reforma, o aumento do custo de vida (decorrente do acréscimo do IVA, e dos preços do pão, dos transportes, da electricidade e combustíveis, das taxas do Estado, entre outros) a par dos cortes sociais e do ataque aos serviços públicos (nos apoios aos idosos, às famílias e aos desempregados), representam um brutal agravamento das condições de vida para milhões de portugueses, de aprofundamento das desigualdades e de alastramento da pobreza. Uma situação tão mais inquietante quanto se amplia o número de desempregados (com um número real próximo dos 800 mil que constitui o valor mais elevado desde o fascismo), se amplia a precariedade e a desregulação do trabalho num processo que visa a acumulação dos lucros pelo capital conseguida à custa do aumento da exploração dos trabalhadores.
Como o PCP tem afirmado não há solução para os problemas nacionais insistindo nas políticas que conduziram o país à actual situação. As previsões anunciadas pelo Banco de Portugal de uma quebra de 1.3% do PIB e as estimativas de aumento do desemprego para 2011, constituem, no quadro de uma balança comercial cada vez mais deficitária, um inquietante sinal da crescente dependência externa do país e da sua vulnerabilidade face à especulação dos “mercados financeiros” e aos ataques à soberania nacional.
Em nome do défice e agora a pretexto das consequências das medidas para o combater, PS, PSD e CDS-PP preparam, com o patrocínio do Presidente da República e obedecendo às determinações da União Europeia, novos ataques aos interesses nacionais e aos direitos e rendimentos dos trabalhadores e do povo.
As novas alterações à legislação do trabalho, reclamadas pela União Europeia e pelo grande patronato, que o governo tem em preparação, a privatização da participação do Estado em empresas estratégicas são, a par da operação de preparação da opinião pública para outros e inevitáveis sacrifícios, expressão dessa nova e mais grave ofensiva.
2. O Comité Central do PCP denuncia a atitude de capitulação perante os interesses estrangeiros e a operação destinada à aceitação da falsa inevitabilidade da entrada porta dentro do FMI com o seu cortejo de exploração e inaceitáveis imposições. Não é dessa cínica “ajuda externa” com o que ela significa – despedimentos em massa, maiores roubos nos salários, mais impostos para quem trabalha, menos apoios sociais, menos serviços públicos, dependência e subordinação absoluta ao estrangeiro e ao grande capital financeiro – que Portugal precisa. Uma “ajuda” que apenas significaria ampliar a dramática intensificação da política e medidas que PS e PSD e Cavaco Silva concretizaram por via dos PEC e do Orçamento.
Mais injustiça social, exploração e sacrifícios sobre quem trabalha e vive dos seus rendimentos, protecção e favorecimento ao capital financeiro e às grandes fortunas, eis o que PS, PSD e CDS têm para oferecer ao país.
A resolução dos problemas nacionais e a melhoria das condições de vida dos portugueses é inseparável de uma ruptura com a política de direita e da concretização de uma política patriótica e de esquerda ao serviço dos trabalhadores, do povo e do país.
Do que o país precisa é de uma política que promova o crescimento económico, valorize e dinamize o mercado interno, assegure uma justa distribuição do rendimento nacional, promova a elevação dos salários e das pensões de reforma indispensável à elevação das condições de vida dos trabalhadores e dos portugueses. Do que o país precisa é de uma política que defenda os interesses nacionais, que recupere o controlo pelo Estado dos principais sectores estratégicos, que afirme a soberania nacional. Do que o país precisa é de uma política que rejeite com firmeza as pressões e ingerências externas, que faça frente à chantagem dos “mercados financeiros”. Do que o país precisa é de uma decidida opção por uma ruptura e mudança com o rumo imposto nas três últimas décadas pela política de direita e pela construção de uma política patriótica e de esquerda capaz de assegurar um Portugal de progresso, desenvolvido e soberano.
IIIA luta de massas, factor essencial e determinante para a mudança necessária
1. A luta de massas constitui um factor determinante na luta contra a política de direita e na construção de uma alternativa política de esquerda. O conjunto dos problemas com que hoje se confrontam praticamente todas as classes e camadas que não integram a grande burguesia e a transformação do descontentamento em protesto e luta, são factores decisivos na evolução da consciência social e política dos trabalhadores e de outras camadas da população.
A luta dos trabalhadores pela concretização dos direitos, liberdades e garantias constitucionais, como o direito ao trabalho com direitos, a uma justa distribuição da riqueza, contra a pobreza e as desigualdades e em defesa do reforço das políticas sociais públicas que garantam o direito à saúde, ao ensino, à segurança social, à justiça tem sido factor decisivo na dinamização e de atracção de outros sectores para a luta, nomeadamente os pequenos e médios agricultores, os membros das forças de segurança, os investigadores da PJ, entre outros. Luta que tem sido acompanhada de importantes acções levadas a cabo pelas populações organizadas em torno da defesa dos serviços públicos, do acesso à saúde, do transporte público de passageiros, da Escola Pública, contra a introdução das portagens.
Não será a fortíssima campanha ideológica desenvolvida a partir dos centros de decisão do grande capital quanto à ineficácia da luta e à inevitabilidade da actual política, e ainda menos as acções de intimidação, como aconteceu no passado dia 18, com a carga policial exercida sobre os dirigentes e delegados sindicais dos trabalhadores da Administração Pública após a realização de um plenário da Frente Comum, que travarão o desenvolvimento da luta. O Comité Central do PCP manifesta a sua solidariedade para com os activistas sindicais agredidos e particularmente com os dois dirigentes que foram detidos de forma arbitrária.
O Comité Central do PCP chama a atenção para os perigos, no âmbito da chamada “Iniciativa para a Competitividade e o Emprego” a preparação de um conjunto de alterações à legislação laboral com o objectivo de facilitar e embaratecer os despedimentos, flexibilizar de forma muito significativa o mercado de trabalho, oferecer ao capital trabalhadores a custo zero, através do programa contrato-inserção e destruir a contratação colectiva com a fragilização da força negocial dos trabalhadores através do afastamento dos sindicatos.
2. As concentrações distritais convocadas pela CGTP, a realizar entre os dias 24 e 29 do corrente mês, as greves já anunciadas no conjunto das empresas mais significativas do sector de transportes e comunicações, as acções na Administração Pública e muitas outras lutas a partir dos locais de trabalho, dão continuidade ao processo de luta em desenvolvimento que teve no extraordinário êxito que constituiu a Greve Geral do passado dia 24 de Novembro, um ponto alto.
IVReforçar o Partido, ampliar a acção e iniciativa políticas
1. O Comité Central do PCP salienta a intensa actividade das organizações e militantes do Partido e da JCP no âmbito das eleições presidenciais que de forma empenhada e determinada promoveram o esclarecimento dos trabalhadores e do povo contra a política de direita e as suas graves consequências. Uma dinâmica partidária associada à dinamização da luta dos trabalhadores e do povo num período marcado pela entrada em vigor das gravosas medidas aprovadas no Orçamento de Estado para 2011.
O Comité Central do PCP apela às organizações e militantes para uma forte e confiante intervenção no desenvolvimento da luta, factor determinante à ruptura e mudança que se exige por um outro rumo para Portugal que salvaguarde a soberania nacional, defenda e valorize a produção nacional, promova o emprego com direitos e a justiça social.
Neste quadro, o Comité Central sublinha a importância do prosseguimento no primeiro semestre da campanha «Portugal a Produzir», levando-a junto dos trabalhadores, dos pequenos produtores, dos MPME, de todos os democratas e patriotas inconformados com a política de desastre nacional que PS, PSD e CDS querem impor ao país. Uma campanha que destaca as potencialidades do país, afirma o valor estratégico da produção nacional para a criação de emprego, o combate à dependência externa, o desenvolvimento, a soberania e independência nacionais, componente essencial de uma política alternativa patriótica e de esquerda.
2. O Comité Central do PCP reafirma a importância que as comemorações do 90º aniversário do Partido deverão assumir ao longo de todo o ano de 2011, inserindo nestas comemorações, de forma integrada, o conjunto das exigentes tarefas que estão colocadas ao Partido. As comemorações dos 90 anos do Partido constituirão um momento alto de afirmação da luta heróica do PCP pela liberdade, pela democracia e pelo socialismo, de intervenção e afirmação política de valores, do ideal e projecto político do Partido.
O Comité Central apela a todas as organizações e militantes para que façam destas comemorações uma grande acção política, aprofundando a ligação às massas, promovendo iniciativas ligadas à vida e à resposta necessária à política de direita, abertas à participação e aproximação aos trabalhadores, aos jovens, às mulheres e outras camadas, permitindo um melhor conhecimento do Partido, das suas propostas, do projecto do socialismo como exigência da actualidade e do futuro e da sua identidade comunista.
Comemorações que devem ter como eixos principais o estímulo ao desenvolvimento e ampliação da luta de massas, o fortalecimento dos movimentos e organizações unitárias de massas, uma forte iniciativa e acção políticas e o prosseguimento e aprofundamento da acção “Avante! Por um PCP mais forte”, concretizando de forma integrada as direcções de trabalho decididas, em particular: o reforço da organização e intervenção junto da classe operária e dos trabalhadores, nas empresas e locais de trabalho, o recrutamento de novos militantes e a sua integração; a responsabilização, acompanhamento e formação de quadros; a criação e dinamização das organizações de base e a realização de assembleias; o reforço da estrutura partidária, incluindo a criação de células específicas de camaradas reformados; a intensificação do trabalho junto de camadas sociais específicas; o reforço da militância e a integração de camaradas em organismos; a intensificação e diversificação da informação e propaganda e o alargamento da difusão da imprensa partidária; o desenvolvimento da luta ideológica; o reforço dos meios financeiros, a dinamização dos Centros de Trabalho e o reforço da capacidade de direcção.
No ano em que o órgão central do Partido, o «Avante!», comemora os seus 80 anos de existência e 70 anos de publicação ininterrupta e na actual situação em que o PCP e o movimento operário e popular são sujeitos a uma concertada pressão política e ideológica, ao silenciamento, manipulação, discriminação e desinformação, alargar a venda e a leitura do «Avante!» será um contributo da maior importância para alargar a influência e a ligação do Partido às massas, desde logo promovendo uma venda especial da edição de 10 de Fevereiro do «Avante!».
3. O Comité Central salienta ainda a importância da preparação da 35ª edição da Festa do «Avante!» marcada para os dias 2, 3 e 4 de Setembro; das comemorações do 35º aniversário da Constituição da República Portuguesa e da Revolução de Abril, do 1º de Maio, momentos de afirmação das conquistas e valores de Abril e dos direitos dos trabalhadores; das comemorações em torno do «Dia Internacional da Mulher», 8 de Março, data incontornável na luta das mulheres pela igualdade e a emancipação; das iniciativas a desenvolver em torno do Dia do Estudante e do Dia da Juventude, em 24 e 28 de Março respectivamente.
O Comité Central sublinha ainda a importância das eleições regionais na Madeira para afirmar, com o reforço da CDU, a exigência de uma nova politica que dê resposta às aspirações do povo da região autónoma.
4. O Comité Central reafirma, num momento em que os trabalhadores e o povo português estão confrontados com a degradação das suas condições de vida, a sua confiança na força organizada dos trabalhadores, de todos os democratas e patriotas que aspiram a outro rumo e a uma nova política ao serviço do povo e do país.
O PCP, afirmando-se como força indispensável aos trabalhadores e ao povo português apela a que façam ouvir a sua voz, dizendo-lhes que podem contar sempre com o PCP. Podem contar com um Partido confiante, determinado e combativo no cumprimento do seu papel na ruptura com a actual política, por uma política patriótica e de esquerda, na construção de uma democracia avançada e do socialismo.
(Enviado por um Amigo)

No quarto do hospital



Dois homens, ambos gravemente doentes, estavam no mesmo quarto do hospital. Um deles podia sentar-se na cama durante uma hora todas as tardes, para que os fluídos circulassem nos seus pulmões. A sua cama estava junto da única janela do quarto. O outro, tinha que ficar sempre deitado de costas. Conversavam horas seguidas. Falavam acerca das suas mulheres e filhos, das suas casas, dos seus empregos, onde tinham ido passar férias… E todas as tardes, quando o da cama perto da janela se sentava, passava a descrever ao seu companheiro tudo o que conseguia ver do lado de fora. O outro começou a viver à espera desses períodos de uma hora, em que o seu mundo era alargado e animado por toda a actividade e cor do mundo lá fora.
A janela dava para um parque com um belo lago, onde patos e cisnes nadavam, enquanto cianças brincavam com seus barquinhos e jovens namorados caminhavam de mãos dadas por entre as flores, de todas as cores. Velhas árvores enormes acariciavam a paisagem e uma ténue silhueta da cidade podia ver-se no horizonte.
Enquanto o doente da cama junto da janela descrevia isto tudo, com extraordinário pormenor, o outro fechava os olhos e deixava voar a imaginação. Um dia, aquele que estava junto da janela, descreveu um desfile que passava. Embora o outro não conseguisse ouvir a banda, ouvia-a e via-a na sua mente, enquanto o outro tudo retratava com palavras muito descritivas.
O tempo foi passando e, uma manhã, o enfermeiro chegou ao quarto com todos os apetrechos para os banhos, e encontrou o seu corpo sem vida; o doente da cama perto da janela tinha falecido, calmamente, enquanto dormia. O enfermeiro ficou triste e chamou os auxiliares para que levassem o corpo.
Logo que lhe pareceu apropriado, o outro doente perguntou se podia mudar de cama, para perto da janela. Evidentemente que sim. E, depois de se certificar que estava bem instalado, o enfermeiro deixou o quarto.
Lentamente, cheio de dores, foi-se erguendo, apoiado no cotovelo, para contemplar o maravilhoso mundo, lá fora. Fez um grande esforço e, lentamente olhou para o lado de fora da janela que dava, afinal, para um muro de tijolo.
Perguntou ao enfermeiro o que teria feito com que o falecido companheiro de quarto lhe tivesse descrito tão maravilhosas coisas. O enfermeiro respondeu que aquele homem era cego e que talvez quisesse apenas dar-lhe coragem…
Há uma felicidade extrema em fazer os outros felizes, apesar de todos os nossos problemas.
A dor partilhada é metade da tristeza, mas a felicidade, quando partilhada, é dobrada.
«O dia é uma dádiva, por isso é que o tratam de presente.»